Ser uma pessoa exótica para os demais mochileiros. Os mochileiros e pessoas da nossa idade que conheci reagiam ao “ser brasileira” como algo totalmente inusitado….bom, talvez da mesma maneira que reageriamos se vissemos um esloveno ou um servio passeando pelo Brasil…
Eu gostaria de ser exotica para todo mundo, mas infelizmente nao isso nao ocorre. Quando eu me identificava como brasileira para aqueles homens que trabalham nas lojas e nos bares e restaurantes era imediatamente pedreirada*! Parece que ao pronunciar “brazilian” eu ficava instantaneamente mais gostosa e mais facil.
Quando estava em Sarajevo, andando pelas ruazinhas de comercio tradicional, entrei por uma rua quase vazia em que havia apenas uma loja com uma velhinha. Assim que me aproximei a velhinha saiu e comecou a falar comigo (em Bosnio) e me apontar as coisas e tentar me fazer ao menos entrar na loja. Fui sorrindo e agradecendo e me afastando ate que consegui voltar para a rua principal. Entrei novamente numa rua sem quase nada e dessa vez o dono da loja era o velhinho. A mesma exata coisa aconteceu e dessa vez, para nao ser muito mal educada, entrei na loja do velhinho. O velhinho pegou no meu braço e me apontava as coisas e me perguntou da onde eu era. Eu respondi “brasil” e o velho chegou MUITO perto da minha cara, disse algo que terminou com “simpatica” e deu um beijao (molhado) na minha bochecha. Naturalmente me desesperei para ir embora, mas o velho (devia ter uns 70 anos) segurava firmemente meu braço – ele devia realmente estar se esforçando para me segurar com a força que me segurou.
Nesse momento comecei a pensar: Meu deus, a primeira vez que vou usar o Krav Maga será em um velho de 70 anos???. Imaginei o velho gritando, depois o velho no chao, as pessoas chegando, eu tentando explicar o que havia acontecido. Nao…ja tive confusao de mais nessa viagem. Optei pelo caminho mais dificil: ir sorrindo e agradecendo e gentilmente arrancando meus braços das maos dele.
Mas isso nao foi nem o pior. Eu estava em uma lanchonete em Zagreb e o cara que tava fazendo meu hamburguer tava me tratando normalmente ate que….veio a pergunta, e veio a resposta. Ao ouvir “brasilian” o cara alem dos olhos brilhantes e do sorriso de safado o cara ainda pediu um beijo na bochecha!! Meu deus!!! Ele fez o pedido meio na brincadeira, mas claramente achando que tinha chances de acontecer. Obviamente eu ri da cara dele, sorri, agradeci e fui embora correndo.
E isso nao é tudo. Estava em Kosovo tomando uma cerveja com o Louis e novamente chegamos ao “brasileira”. Mas dessa vez foi diferente: o garçom sorriu e disse “muito bom”. Ainda nao tinham acontecido os incidentes acima, entao fiquei super empolgada e perguntei onde ele tinha aprendido. O cara respondeu “filmes” e eu pensei “uauu…tropa de elite ta fazendo sucesso” (o Louis tinha me dito que conhecia o filme). Quando pagamos a conta e estamos levantando para ir embora o garçom arriscou outra palavra “safadinho”. Eu achei esquesito, mas ri pra caramba e comentei com o Louis que aquilo queria dizer “naugthy boy”. Nessa ele, mais esperto que eu, imediatamente comentou “I think I now what kind of brazilian movies this guy is seeing…” Auch…
E para finalizar, tomando cafe em Rijeka me deparo com esse clipe na tv do cafe
http://www.youtube.com/watch?v=oFryG9ON7Tw
Depois dessa eu disse
CHEGA! A PARTIR DE AGORA EU SOU ESPANHOLA!
*pedreirada vem pedreiro…qualquer mulher que ja passou em frente a pedreiros de uma obra sabe o que é ser pedreirada. Agradeco aqui ao Pedro Porto, autor desse neologismo.